sexta-feira, 18 de julho de 2008

Poema 31


1440


zero zero zero zero

O dia começa de novo

será que vai valer a pena

ou farei tudo igual como foi feito antes, ontem

Mas quero mais repetir tudo mais uma vez mais

sei que todos os poetas já se depararam contigo

eu não o temo

somente penso

se meu dia vai ser diferente

não quero mais minutos horas para contar o quanto já vivi e o quanto falta

só anseio os grandes acontecimentos para fazer-me lembrar que

Ainda passa sobre minha cabeça e faz o que tenho abaixo de mim girar

quem nunca quis

ser ao menos importante para alguém por pelo menos 1440 minutos ao dia

o tempo apenas serve para contabilizar meus feitos

meus atrasos e meus erros

eu conto com outros ponteiros

terça-feira, 15 de julho de 2008

Poema 30


sem título


Não quero ser conhecida por ter começado cedo

Nem por ter acontecido tarde

Mas por ter feito algo

Não me interessam

Os jovens ou velhos

Nada mais só os fatos

Quando aparecem não importa

Liberta a lama é mais nobre

Do que contabilizar o tempo, obter nota

Não quero pressa, não tenho pressa

Meu coração bate no descompasso das horas

Arte não vem na hora

Como criança

Não bate antes de abrir a porta

Porém vem e vem

sexta-feira, 11 de julho de 2008

Poema 29


Tem vida lá (para joaninha)


Tem vida dentro deste guarda-roupa

As blusa mexem-se o perfume exala cheiros meus

Novos e antigos

O pente que já alinhou tantas vezes meu cabelo repousa

As jóias descansam suas pedras e seus brilhos para mias tarde

Brincos simples são os que eu mais gostos

Baús guardam alguns segredos

Presilhas soltas e amaras não prendem ninguém por enquanto

Sapatilhas, sándalias botas cochicham sobre os lugares por onde passaram

As roupas dormem para movimentarem-se depois

E eu só os olhos aqui da cama

Porque agora todos os objetos descansam

E eu sei que tem vida lá dentro